My first love

10set08

Isso tá parecendo título de redação primária do USA. Mas vim aqui escrever sobre a primeira garota por quem me apaixonei e consequentemente me descobri moderninha safada. rs

Na verdade não teve nada de moderno, já que faz alguns bons anos que isso aconteceu. Para ser exata, 7 anos. 

Eu, uma adolescente de 17 anos, com 3 namoradinhos no currículo, entrei para um time de futebol do clube da minha cidade por indicação de uma amiga da escola, um ano mais velha que eu.  Essa mesma que mais tarde descobri mais coisas em comum do que somente gostar de jogar bola e das Spice Girls.

As brincadeiras durante o treino eram inevitáveis, mas tão inocentes quanto a de criancinhas na creche. Não tinha duplo sentido e nem malícia. A verdade é que eu nem pensava nisso. Estava tão longe do meu mundo. Namorando sério e quando não, assumo que ficava com alguns vários outros rapazes. Então nem passava pela minha cabeça…mesmo. Achava engraçado o fato de reparar nas mulheres também, mas não como os homens, nem com a mesma cara. Admirava por serem bonitas, quase com uma pontinha de inveja do tipo “queria ter aquele cabelo, olho, etc” e só. Nada de estranho, observava eu, por crer (até hoje) que mulheres heteros fazem o mesmo.

Até que, durante um amistoso (sempre rolava umas competiçõezinhas entre times da cidade), o primeiro contra aquele time, reparei em uma guria. Não sei explicar o motivo, mas ela me chamou a atenção. Tinha um tipo de beleza comum até, cabelos castanho claros, olhos idem, magra e um sorriso lindo (talvez aí o motivo do meu encantamento). Só sei que não conseguia parar de observá-la o jogo todo e isso me deixou confusa. Não entendia porque tinha ficado assim, de forma tão repentina e juvenil. Não sabia o nome dela, onde morava, nem se era uma pessoa legal. Nada.

Depois desse jogo, lembro-me do quanto torcia para que houvesse outros jogos contra o time dela.

Vieram outras partidas, fui tentando me aproximar dela, mas naquele ambiente era difícil. Por Deus, eu mal sabia o que estava fazendo e com que motivos! Fato, era que toda vez que saía na rua, encontrava com a tal garota. Coisas que a vida parece propositalmente fazer conosco, às vezes. E sempre que isso acontecia, sentia um nó no estômago, um frio na espinha. Nos cumprimentávamos e isso era tudo. Bem LOSER assim mesmo. rs

Os treinos acabaram e infelizmente nunca mais vi a tal menina.

Mas depois disso, pensava sempre nela (acompanhada de borboletas na barriga) e até nesse momento em que escrevo, consigo visualizar seu rosto e gestos perfeitamente.

Sentir aquilo por uma garota e não entender o que era exatamente, fez com que me questionasse. Tenho até hoje guardado em disquete e protegido por uma senha (que infelizmente não lembro e por isso não consigo abrir) um texto onde apavorada, confessava me sentir atraída por uma menina.

Sim! Tive medo. Acho que passei por todas as fases de se descobrir. Neguei, fui me informar, contei à algumas pessoas próximas, procurei na internet casos parecidos, fiz loucuras, chorei… enfim.

O mais inusitado/estranho/bizarro é que nessa mesma época, naquela coleção de livros que vinham junto com jornais, peguei ao acaso, um na estante de casa. Tratava-se de ” Le Cahier Volé” de Régine Deforges, em português, “O diário roubado”. Havia visto a sinopse e considerado a história interessante. Comecei a ler e percebi que Léone era uma menina (esses nomes franceses tãaoo ambíguos). Achei mais fascinante ainda, porque talvez tenha me reconhecido ali, nos sentimentos da personagem. Chorei e me revoltei com o preconceito existente na maioria dos personagens do livro. Refleti então sobre ser diferente e não conseguia entender porque na história as pessoas não aceitavam, assim como eu, aquele relacionamento como AMOR, puro e simples, e não como algo sujo, feio e errado.

É…  e foi assim que descobri exatamente o que havia sentido anteriormente por aquela garota e porque razões. Naquele momento entendi que os sentimentos fogem de nós e que não podemos escolhe-los ou direcioná-los. E então fui preenchida com a alegria e a certeza de que estava livre para ser feliz  e gostar de quem quisesse sem distinções. Até mesmo, de forma platônica, como aquela bela menina foi pra mim.



5 Responses to “My first love”

  1. 1 V.B.S.

    Guardada as devidas proporções, por frações de segundo achei que eu havia escrito todos estes posts. Também tenho 24, uma namorada que mora em outra cidade e que digo sem duvida ser o amor da minha vida, sempre joguei futebol (apesar de estar parada tem um tempo), dormi muito mal nos jogos olímpico de Pequim e boa parte em função do vôlei feminino( acompanho desde as olimpidas de barcelona), chorei como uma criança em Atenas (prometi pra mim mesma que não mais acompanharia a seleção de vôlei feminino, mas foi mais forte que eu), também invejo o Ellen Degeneres (mais pela grana e por assumir quem é e fazer disso algo divertido e não vergonhoso. Também crio expectativas em relação aos dias que vou passar perto de minha namorada e muitas vezes a TPM acaba pondo tudo a perder. Também já pensei em passar minha vida para o papel, não para apenas descarregar, mas pra não deixar meus sentimentos e meus dias morrem em minha mente e futuramente comigo. Achei bacana ler todos seus posts e poder ver que há por ai pessoas que reproduzem historias semelhante as minhas. Espero que continue a escrever e com a sua licença gostaria de continuar a ler. Desde já agradeço pela atenção.

    V.B.S

    Ps: já que você é tão fã de vôlei e da Mari aí vai uma curiosidade: dizem as boas línguas que ela é a atual namorada da Sheilla (oposto), que já ficou com a Fabi (libero) e com a Dani Lins (também jogadora). Creio que a atual é, sem duvida, a melhor escolha! Afinal de contas, com aquele sorriso, ela ajuda a deixar o colírio completo!! rs…. Abraços

  2. 2 psyco

    Agradeço por passares por meu blog, tudareise, também gostei do que li por aqui. Coincidências, gostei desta, é sempre bom/aconchegante ver que dizemos algo a alguém.

    Obrigado, serás sempre bem vinda.

  3. 3 tudareise

    V.B.S:
    Fiquei muito contente com seu comentário e mais feliz ainda em saber das coincidências. Sempre acreditei na teoria de que estamos todos conectados de alguma forma, taí pois então uma nova prova. rs
    Sinta-se sempre bem vinda por aqui. E porque não compartilhe nossas semelhanças e suas histórias sempre que quiser, ok?

    * Adorei o ps! rs Só ficaria melhor realmente se a Mari namorasse a Piccinini (italiana). Ai seria de dar inveja realmente. hehehe
    Beijos. ;D

  4. 4 tudareise

    Psyco:
    E você também é sempre bem vinda por aqui.
    Beijos. ;D

  5. que coisa… tinha uma menina na época da escola que me causava algo parecido, eu achava que era uma coisa de amigas era tão tapada pra perceber! rs Demorei, me descobri já com 26 anos e desde então, nem preciso comentar né? rs
    Ah, o grande atrativo pra mim, coisa que nunca esqueço, era o sorriso dela e os olhos puxados, morena, aquela música Jackie Tequila do Skank sempre me faz lembrá-la, nem sei porque…


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