O problema é que o ânimo acabou…

09set08

Que ironia! Só porque eu botei a maior fé no meu fim de semana, ele foi de mal a pior. Mesmo que no final, talvez somente por cansaço, tenha melhorado um pouco. Digo cansaço, porque eu e a respeitável, brigamos todos os dias e realmente me sinto esgotada por conta disso.

Tudo culpa da tpm + inferno astral da semana anterior ao meu cumpleaños + carência + falta de sintonia do casal e outros tantos plus.

Vamos aos fatos:

Sexta, coquetel da empresa onde F. trabalha, outra cidade, eu sem conhecer ninguém, apresentada como a “amiga”. Programa do tipo desconforto total. Quando aceitei, já sabia disso. Do que teria que passar, do quanto teria que sorrir, fazer social, enfim… participar. E a noite seguiu e cumpri meu papel brilhantemente. O que não foi o caso da minha namorada. Ela simplesmente me abandonou, durante toda a festa, salvo alguns minutos de 2 em 2 horas, quando ia a mesa, se servir. Resultado: Fiz amizade com o mágico da festa ( de quebra, estraguei o truque dele porque previ o resultado), falei a noite toda com os amigos de trabalho da minha namorada, mais do que a própria, a propósito, enquanto ela puxava o saco de clientes.

Ok, não sou do tipo que não entende as coisas. Sei que a festa era um jeito de promover a empresa e que os funcionários tinham mesmo que ficar lá, falando e puxando uma sardinha, mas não precisava ser a noite toda, certo? Sendo que a maior parte das pessoas que trabalham lá, nem sequer fez isso. Eu só queria um suporte, saber que ela estava do meu lado, assim como eu estava lá para apoia-la. Custava ter sido um pouco mais atenciosa? Enfim… chegamos em casa, eu com aquela cólica, dr e dormimos uma pra cada lado.

Sábado, eu querendo ficar de preguiça na cama, como havia dito no post anterior, sobre o quanto gostamos disso e ela acordada, de banho tomado, querendo sair pra cinquenta mil lugares. Ok. Uma leve briga sobre: O que aconteceu com o tempo em que você gostava de ficar comigo sem fazer nada de bobeira na cama? Vamos então ao japonês. Lá mais uma briga soft, sobre o modo como ela fala com as pessoas. Nessa altura, sei que estou parecendo uma velha chata e encrenqueira, que reclama de tudo, que vê nas atitudes dela, sempre algo errado. Talvez tenha um pouco disso, confesso. Mas aquela soma anterior tem uma influência gritante também. Resumindo: Briguei com ela (não pela primeira vez) pelo modo como fala com as pessoas. O tom arrogante que usa, parecendo quase que destratar os outros, um desdém. Eu por ser vegetariana, sempre fico meio incomodada ao pedir um prato, porque sempre que digo que não como, me oferecem então um peixe. Ai até explicar que peixe também não, já se vai um bom tempo. Mas faço isso de maneira natural, com um simples: Não, também não como peixe. Pra mim, isso já é sinônimo de bom entendimento. Agora, analisem vocês. Esse é o jeito que ela fala:

-Olha, você pode ver um prato sem carne porque ela não come nada de carne tá?!

Atendente: Mas o peixe pode vir né?

- Vamos lá! Peixe também é bichinho. Ela não come nada que é bichinho, entendeu? (Seguida de uma risada daquelas secas, como quando se ri de algo não engraçado)

Depois desse almoço, a noite foi surpreendentemente boa. A única do final de semana, eu diria. Fizemos amor, dormimos abraçadas, enfim, nos entendemos.

Domingo, mais uma vez ela acorda cedo. Quer ir ao shopping e eu afim de ficar na cama, onde poderíamos ficar abraçadas, conversar melhor, ser um casal, do que se expor perante a sociedade em um lugar abarrotado de gente.

A idéia inicial era almoçarmos e depois assistir o novo filme da Angelina Jolie. Não fizemos nem uma coisa nem outra. Rodamos o shopping todo atrás de um restaurante. Ela queria ir ao Outback. Paramos em um outro, que demoraria mais umas 2h pra abrir. No Outback, mais uma hora e meia de fila. Nisso, já estavámos brigando, discutindo, putas com essa mudança de planos. Sugeri que fossemos para a praça de alimentação, mas ai ela se zangou, porque queria algo diferente e não comer no mac donald’s como sempre. Mais discussão, eu tentando ver um lugar pra comermos juntas, o que é uma tarefa difícil.

Final da história: Emburrada por causa de tudo isso e cansada de brigar (tanto quanto eu), F. decidiu me deixar falando sozinha, literalmente. Desembestou a andar depressa pelo shopping, descendo as escadas. Ah, como eu odeio quando ela faz isso! Em outros tempos, teria corrido atrás e no calor da raiva, pegado em seu braço, dizendo o quanto tudo isso era imaturo. Naquele tempo, não percebia o quanto eu estava sendo também, ao fazer tal coisa. E pior ainda, sem se importar por estarmos em um lugar público. (Shame!)

Felizmente os tempos mudaram. Talvez não tanto quanto deveria. Mas dessa vez, não corri. E a perdi no meio daquele bolo humano. Procurei por todos os cantos. Sentei e esperei em vão, por 40 minutos. Nada. Será que ela foi embora? Pensei comigo. Não… não teria coragem. Afinal, estava em outra cidade, em um lugar desconhecido, sem nem ao menos saber como voltar pra casa. E também, as chaves do apartamento e o celular dela estavam comigo.

Não almocei, durante essa uma hora que esperei. Caso ela voltasse arrependida, não queria chatear já dizendo que comi. Ia ser mais um estopim. Que idiota!

O telefone toca.

- Onde você tá? Eu já fui embora. Vem pra casa. Pega um táxi.

Não consigo descrever tamanha raiva que senti. Mágoa. Segurei o choro. Desliguei e disse que ia comer. Me limitei a dizer que só lamentava por essa atitude. Com meu ressentimento no ápice, ri mentalmente de forma maquiavélica, por ela ter ficado do lado de fora do apartamento. (o que depois se demonstrou apenas momentâneo, posto que ela é a mulher que “apesar de” amo).

Aqui vale ressaltar o quanto eu também não sou uma pessoa fácil. Fui chata, brigamos juntas, mas nada que justifique me deixar nessas condições.

Ainda assim, antes de ir, lá fui eu, comprar os doces que ela gosta, pra tentar amenizar o que aconteceu.

No caminho, antes de chegar ao apartamento… inspirei, respirei… contei até 100, repetidas vezes. Prometi a mim mesma, não agir como no passado. E assim, entrei muda… sem esboçar a menor reação. Ela então puxou a conversa… e ai chorei. Falei, falei… mas sem elevar a voz.

Agradeci, por dessa vez… ter sido mulher adulta, mulher de classe.



One Response to “O problema é que o ânimo acabou…”

  1. ai. Parece que eu já vi um filme parecido…
    Essa coisa de onde foi parar aquele tempo de ficarmos juntas a toa, sem fazer nada? Também briguei com a minha namorada semana passada por algumas razões, uma sequencia de brigas inúteis. Acho que agora está tudo bem, mas como é difícil namorar mulher viu! rs
    E eu também sou vegetariana =D
    Mas a minha namo tb é, então fica mais fácil ;)


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